21 – agosto – 2026
21 agosto, 2026

Esquema de agiotagem em terras indígenas do ES com indenizações do desastre de Mariana

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram a Operação Pyatã nesta quinta-feira (25) e prenderam cinco pessoas — entre elas três indígenas — acusadas de praticar agiotagem e extorsão em comunidades Tupiniquim e Guarani, em Aracruz, no Espírito Santo. O grupo explorava financeiramente indígenas por meio das indenizações pagas pela Fundação Renova aos atingidos pelo desastre de Mariana, em 2015. A Justiça também bloqueou mais de R$ 10 milhões em bens dos envolvidos.
Cheques apreendidos durante a Operação Pyatã em combate a agiotagem em terras indígenas no ES — Foto: Divulgação/Ministério Público Federal (MPF)
Cheques apreendidos durante a Operação Pyatã em combate a agiotagem em terras indígenas no ES — Foto: Divulgação/Ministério Público Federal (MPF)
Cheques apreendidos durante a Operação Pyatã em combate a agiotagem em terras indígenas no ES — Foto: Divulgação/Ministério Público Federal (MPF)

Operação Pyatã: o esquema revelado

A investigação do MPF começou após denúncias de que indígenas estavam sendo vítimas de exploração financeira em razão das indenizações da Fundação Renova. Entre 2019 e 2022, mais de R$ 113 milhões foram repassados às associações indígenas, mas parte desse valor acabou sendo desviada para o pagamento de dívidas ilegais.

De acordo com o MPF, os agiotas ofereciam adiantamentos das indenizações, mas cobravam juros abusivos e usavam ameaças para garantir os pagamentos. Muitos indígenas chegavam a acumular dívidas superiores ao valor que tinham a receber.

Como funcionava o esquema

  • Indígenas eram cooptados para repassar informações sobre beneficiários.

  • Agiotas adiantavam indenizações com juros abusivos.

  • Associações indígenas envolvidas no esquema recebiam os repasses da Fundação Renova.

  • Dívidas eram descontadas antes que as famílias recebessem o dinheiro.

  • A cobrança era feita de forma direta ou por meio de intermediários, que usavam indígenas como cobradores, impondo medo, ameaças e até violência.

Dois grupos criminosos atuavam paralelamente

O MPF identificou dois grupos distintos:

  1. Primeiro grupo – liderado por um agiota que, junto dos filhos, simulava contratos de compra e venda e prestação de serviços para dar aparência de legalidade às operações.

  2. Segundo grupo – chefiado por outro homem, também responsável por aplicar juros abusivos e ampliar a exploração financeira sobre Tupiniquins e Guaranis.

Bloqueio de contas

A pedido do MPF, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 9,9 milhões em nome dos agiotas e de uma empresa ligada ao esquema. Além disso, cerca de R$ 850 mil foram bloqueados em contas de ex-integrantes da Associação Indígena Tupiniquim e Guarani.

O MPF e a PF pedem que outras vítimas ou testemunhas denunciem e reforçam o compromisso com a proteção dos direitos e da integridade dos povos indígenas.

Fundação Renova não tem ligação com o esquema

Em nota, o MPF reforçou que a Fundação Renova não tem relação com o esquema criminoso. A entidade apenas repassa os valores das indenizações determinadas pela Justiça às associações indígenas.

O nome da operação

A operação foi batizada de Pyatã, palavra de origem tupi-guarani que significa pedra dura, pé firme e coragem, simbolizando a luta contra a exploração e a resistência dos povos indígenas.

0 0 votos
Avaliações
Inscrever-se
Notificar de
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

Compartilhe esta matéria pelo:

Veja também

A Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, sob a gestão do prefeito Theodorico Ferraço, anunciou um importante projeto de mobilidade urbana que promete transformar o trânsito da maior cidade do Sul do Espírito Santo. Trata-se da abertura de uma nova via que fará a ligação entre os bairros Paraíso e Monte Belo, trazendo benefícios diretos para moradores, estudantes e motoristas que circulam diariamente pela região.
Começou nesta quarta-feira (6) o Emprega Cachoeiro 2025, iniciativa que tem como foco impulsionar a geração de empregos e ampliar as oportunidades de inserção profissional no município.
Cachoeiro marcará presença na Feira dos Municípios 2025,
A Diocese de Cachoeiro de Itapemirim anunciou a Ordenação Diaconal de três novos diáconos permanentes, que será realizada no dia 23 de agosto de 2025, às 16h, na Paróquia São Pedro Apóstolo, em Venda Nova do Imigrante.
A Associação das Câmaras Municipais do Espírito Santo (ASCAMVES) promoverá, no dia 15 de julho, mais um importante evento voltado ao fortalecimento institucional do legislativo capixaba: o Workshop Regional dos Legislativos Municipais, que reunirá vereadores, assessores, servidores do legislativo e autoridades das microrregiões da Sudoeste Serrana. O encontro será realizado no plenário da Câmara Municipal de Afonso Cláudio, a partir das 8h30.
A partir desta segunda-feira, dia 8 de setembro de 2025, a Sala do Empreendedor de Cachoeiro de Itapemirim retoma suas atividades em um novo endereço: o Museu de Ciência e Tecnologia, localizado na Rua Moreira, nº 317, ao lado do Supermercado SempreTem. O atendimento acontecerá de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, conforme anunciado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Semdec).

Compartilhar postagem

Esquema de agiotagem em terras indígenas do ES com indenizações do desastre de Mariana

Compartilhar

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x