Irã e Omã avançaram nas negociações para estabelecer um corredor temporário de navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A iniciativa busca restabelecer uma passagem segura após quase seis meses de conflito e fortes restrições ao tráfego de embarcações na região.
Antes do início da guerra, em fevereiro, aproximadamente um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) passava pelo estreito. Desde então, grande parte do transporte marítimo foi interrompida em meio às disputas de controle da passagem envolvendo Irã e Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (25), Teerã e Mascate discutiram a criação de um “corredor conjunto temporário de navegação” e concordaram em trabalhar para manter a área livre de minas.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, demonstrou otimismo após conversar com seu homólogo iraniano.
Segundo ele, existe a expectativa de que sejam anunciados em breve tanto o corredor temporário quanto os procedimentos necessários para recuperar condições seguras de navegação.
Estreito de Ormuz continua sob tensão
Apesar da redução das hostilidades diretas entre Estados Unidos e Irã, as negociações para um acordo de paz permanecem paralisadas. Ataques contra embarcações também continuam tornando a travessia pelo Estreito de Ormuz uma operação de risco.
As conversas entre Irã e Omã sobre o controle do tráfego marítimo vêm ocorrendo há semanas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou novamente que todas as minas existentes no estreito teriam sido removidas e advertiu o Irã contra novas tentativas de minar a região.
Irã cria lista de 45 navios
A disputa também alcançou diretamente as empresas responsáveis pelo transporte de petróleo e outras cargas.
No domingo, o Irã anunciou uma lista com 45 embarcações, numa aparente tentativa de impedir operações de transferência de cargas entre navios utilizadas por produtores de energia do Golfo para contornar o bloqueio iraniano.
Algumas companhias passaram a considerar evitar embarcações incluídas nessa relação.
Estados Unidos aumentam pressão econômica
Enquanto Omã tenta avançar na mediação, Washington mantém a estratégia de pressão econômica sobre Teerã.
Os Estados Unidos ameaçaram ampliar sanções contra países que continuarem realizando negócios com o Irã, embora tenham indicado que as punições não seriam aplicadas imediatamente.
O governo iraniano classificou a tentativa norte-americana de isolar sua economia como uma ação ilegal e demonstrou confiança de que outros países não aderirão integralmente à campanha de pressão.
Nesta quarta-feira (26), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também defendeu o fortalecimento da cooperação com a China durante encontro com o embaixador iraniano em Pequim, segundo a imprensa estatal do país.
Petróleo recua diante de expectativa por negociações
Os sinais de uma possível redução das tensões tiveram reflexos no mercado internacional.
Os preços do petróleo registraram terceiro dia consecutivo de queda, com recuo superior a US$ 2 por barril e atingindo o menor nível em duas semanas.
O movimento ocorreu após novos sinais de esforços diplomáticos para encontrar uma saída negociada para a guerra iniciada em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
EUA começam a devolver diplomatas à região
Apesar da tensão persistente, os Estados Unidos começaram a preparar o retorno de funcionários para algumas representações diplomáticas no Oriente Médio que haviam sido evacuadas ou tiveram suas equipes reduzidas durante o conflito.
A movimentação pode indicar que Washington considera menor, no curto prazo, o risco de uma nova escalada militar, embora algumas embaixadas devam continuar funcionando com capacidade reduzida inicialmente.
Segundo o Axios, o secretário de Estado Marco Rubio também teria informado a aliados que os Estados Unidos não esperam realizar novos ataques contra o Irã neste momento, priorizando outras formas de pressão.
O cenário, porém, permanece instável. O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, enquanto Estados Unidos e Israel conseguiram degradar parte significativa da capacidade militar convencional iraniana.
O estado exato do programa nuclear do Irã continua incerto.
Nesse contexto, a eventual abertura de um corredor temporário pelo Estreito de Ormuz pode representar um primeiro passo para normalizar parcialmente uma rota fundamental para o comércio internacional de energia, mesmo sem uma solução definitiva para o confronto entre Washington e Teerã.