23 – setembro – 2026
23 setembro, 2026

Enchente no Nepal deixa mortos e centenas de desaparecidos na fronteira com o Tibete

Desastre atingiu comunidades no Himalaia nesta quarta-feira (26); avalanche de gelo e rochas está entre as hipóteses investigadas para explicar a inundação repentina

Uma violenta enchente no Nepal atingiu comunidades da região do Himalaia nesta quarta-feira (26 de agosto), próximo à fronteira com o Tibete, provocando mortes, desaparecimentos e danos à infraestrutura.

Balanços divulgados ao longo do dia apontam dezenas de mortos e centenas de pessoas desaparecidas ou ainda sem contato. As operações de busca continuam e os números podem mudar conforme as equipes consigam chegar às áreas isoladas.

Entre os locais atingidos estão Timure e Syabrubesi, no distrito de Rasuwa. A força da correnteza carregou lama, pedras e outros detritos, atingindo casas, estradas, pontes e estruturas de geração de energia.

Avalanche pode ter provocado a enchente no Nepal

Uma das principais hipóteses analisadas para explicar a enchente no Nepal envolve uma avalanche de gelo e rochas em uma região montanhosa próxima ao rio Lhende, afluente do Bhotekoshi.

Avaliações preliminares indicam que o material pode ter bloqueado temporariamente o curso do rio, criando uma espécie de barragem natural. Com a água acumulada, a estrutura teria cedido e liberado rapidamente um grande volume de água, lama, pedras e outros materiais em direção às áreas mais baixas.

A dinâmica ajudaria a explicar a velocidade com que a inundação avançou sobre as comunidades.

Entretanto, as autoridades e pesquisadores ainda trabalham para determinar definitivamente a origem do desastre.

Terremoto de magnitude 4,4 também é investigado

Um terremoto de magnitude 4,4 registrado na região do Tibete pouco antes da inundação também chamou a atenção dos especialistas.

Pesquisadores avaliam se o tremor poderia ter contribuído para desestabilizar encostas e provocar a movimentação de gelo e rochas.

Até o momento, porém, não existe confirmação de que o terremoto tenha provocado a avalanche ou a enchente. A proximidade temporal entre os acontecimentos faz com que essa possibilidade permaneça sob investigação.

Possível rompimento de lago glacial entra nas análises

Outra hipótese considerada envolve um fenômeno conhecido como GLOF, sigla em inglês para inundação provocada pelo rompimento repentino de um lago glacial.

Esses lagos podem se formar a partir do derretimento das geleiras e ficar represados naturalmente por gelo, sedimentos ou rochas. Caso essa barreira se rompa, enormes quantidades de água podem descer pelas montanhas em pouco tempo.

A possibilidade recebe atenção porque a mesma região enfrentou uma inundação semelhante em julho de 2025.

Por enquanto, entretanto, não há confirmação de que um lago glacial tenha se rompido no desastre desta quarta-feira.

Chuvas fortes não explicariam sozinhas o desastre

As avaliações iniciais também indicam que as chuvas registradas na região não seriam suficientes, isoladamente, para explicar o volume e a velocidade da água.

Esse cenário fortaleceu as investigações sobre algum evento ocorrido nas áreas mais elevadas das montanhas, incluindo avalanche, bloqueio de rio ou rompimento de uma estrutura natural.

Imagens de satélite e levantamentos realizados nas áreas de maior altitude poderão ajudar a esclarecer a sequência dos acontecimentos.

Estradas, pontes e hidrelétricas foram atingidas

Além das comunidades, a enchente no Nepal provocou danos importantes à infraestrutura da região.

Estradas e pontes foram atingidas, prejudicando o deslocamento das equipes de emergência. Instalações relacionadas à geração de energia também sofreram impactos provocados pela correnteza e pela grande quantidade de sedimentos.

As informações disponíveis até agora apontam essas estruturas como vítimas da inundação, e não como responsáveis pelo desastre.

Os danos às redes de transporte e comunicação também dificultam a obtenção de informações precisas sobre determinadas comunidades.

Turistas estão entre pessoas procuradas

A região atingida é frequentada por turistas e viajantes que percorrem diferentes áreas do Himalaia.

Após o desastre, autoridades, operadores turísticos, guias e familiares iniciaram esforços para localizar pessoas que estavam na região.

Nas primeiras horas após a inundação, centenas de viajantes chegaram a ser relacionados entre aqueles que ainda não haviam estabelecido contato.

Parte dessas pessoas pode simplesmente estar incomunicável devido aos danos provocados às redes de telefonia e transporte. Por isso, as autoridades continuam trabalhando para confirmar individualmente a situação dos desaparecidos.

Resgates enfrentam dificuldades

O relevo montanhoso tornou as operações especialmente complexas.

Equipes militares, policiais e de emergência foram mobilizadas, enquanto helicópteros tentam acessar comunidades isoladas. Em alguns pontos, entretanto, a destruição provocada pela enchente dificulta até mesmo os pousos.

A lama acumulada, os danos às estradas e a instabilidade do terreno representam obstáculos adicionais para os socorristas.

Moradores das áreas próximas aos rios também foram orientados a permanecer afastados de locais considerados de risco enquanto o nível da água e possíveis novos bloqueios naturais são monitorados.

Região já havia enfrentado desastre semelhante

O episódio chama atenção porque ocorre pouco mais de um ano depois de outra inundação atingir praticamente o mesmo corredor entre o Nepal e o Tibete.

Em julho de 2025, uma cheia repentina originada na região do rio Lhende avançou pelo Bhotekoshi, deixando vítimas e provocando danos à infraestrutura, incluindo a destruição de uma importante ligação entre Nepal e China.

A repetição de eventos dessa natureza aumenta a preocupação sobre a estabilidade de geleiras, lagos glaciais e encostas no Himalaia.

Número de vítimas ainda pode mudar

As buscas permanecem em andamento nesta quarta-feira. Como algumas regiões continuam isoladas, as autoridades ainda trabalham para estabelecer um balanço definitivo de mortos, feridos e desaparecidos.

Também não existe, até o momento, uma conclusão definitiva sobre o mecanismo que desencadeou a inundação.

Novas informações deverão surgir conforme equipes de resgate consigam acessar as comunidades atingidas e pesquisadores obtenham dados das regiões montanhosas onde o desastre pode ter começado.

0 0 votos
Avaliações
Inscrever-se
Notificar de
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

Compartilhe esta matéria pelo:

Veja também

O vulcão Anak Krakatau, na Indonésia, permanece em intensa atividade após registrar uma erupção contínua acompanhada por fontes de lava, estrondos e lançamento de material vulcânico. O nível de alerta permanece em III, e autoridades estabeleceram uma zona de exclusão de 3 quilômetros. Neste domingo (6), as cinzas também afetaram temporariamente operações em quatro aeroportos.
Previsão para o período entre 31 de agosto e 7 de setembro indica volumes acima de 100 mm no Sul do Brasil. No Espírito Santo, a chuva deve alcançar principalmente o sul do estado a partir de quarta-feira (2).
Meta confirmou fim do suporte para celulares com Android 5.0 e 5.1. Aparelhos como Galaxy S3, S4, Moto G 1ª geração e iPhones antigos vão perder acesso ao WhatsApp. Veja se o seu está na lista e o que fazer no ES.
Ferramentas de inteligência artificial já conseguem criar layouts, textos, imagens e identidades visuais. Veja seis passos para desenvolver seu site com IA.
Desastre atingiu comunidades no Himalaia nesta quarta-feira (26); avalanche de gelo e rochas está entre as hipóteses investigadas para explicar a inundação repentina

Compartilhar postagem

Enchente no Nepal deixa mortos e centenas de desaparecidos na fronteira com o Tibete

Compartilhar

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x