O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou o Quartel-General do Exército, em Brasília, nesta terça-feira (25), sem responder aos questionamentos de jornalistas sobre as suspeitas envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de Gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Lula havia acabado de participar da cerimônia em comemoração ao Dia do Soldado e falou com a imprensa sobre a presença feminina nas Forças Armadas e os investimentos do governo na área de defesa.
Ao término de sua declaração, jornalistas fizeram perguntas sobre Lulinha e Marcola, mas o presidente deixou o local sem comentar os casos naquele momento.
Investigações envolvendo Lulinha ganham espaço na campanha
As suspeitas envolvendo Lulinha e sua relação com a lobista Roberta Luchsinger passaram a ocupar espaço no debate político durante a campanha eleitoral de 2026.
Adversários de Lula vêm explorando o assunto politicamente, enquanto o PT argumenta que a Polícia Federal possui liberdade para conduzir as investigações.
Em declarações anteriores, Lula afirmou que o filho deverá responder pelos próprios atos caso alguma irregularidade seja comprovada.
“Ninguém está impune se cometeu erro. Meu filho sabe que se ele cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou inocentado. Ele tem que provar a inocência dele”, declarou o presidente em entrevista recente.
Lulinha e Marcola também são relacionados nas apurações à empresária e lobista Roberta Luchsinger.
As suspeitas envolvendo o filho do presidente ainda estão sob investigação, e a existência das apurações não representa, por si só, comprovação de crime.
PT tenta deslocar debate para adversários
Politicamente, o PT tem sustentado que o governo não interfere nas investigações realizadas pela Polícia Federal.
Ao mesmo tempo, integrantes da legenda passaram a intensificar referências ao chamado caso Dark Horse e a destacar que Lulinha e Marcola não participam da disputa eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro (PL), citado pelo partido em sua estratégia de reação, é candidato.
A repercussão das investigações ocorre em plena campanha presidencial e tende a manter o assunto entre os temas explorados pelos adversários de Lula.
Mulheres nas Forças Armadas ganham destaque
Durante sua fala após a cerimônia do Dia do Soldado, Lula preferiu concentrar as declarações na participação feminina nas Forças Armadas.
No início de 2026, 1.010 mulheres se tornaram as primeiras recrutas incorporadas às Forças Armadas.
O presidente classificou a participação feminina no desfile como uma mudança comportamental e afirmou que as mulheres devem poder ocupar diferentes espaços dentro da sociedade e das instituições militares.
Lula promete priorizar investimentos em defesa
Outro assunto abordado pelo presidente foi o orçamento destinado à defesa nacional.
Lula afirmou que os investimentos no setor não devem depender apenas da disponibilidade eventual de recursos e defendeu uma política de preparação do país para proteger o território e suas riquezas.
Entre os ativos estratégicos mencionados pelo presidente estão as reservas florestais, o petróleo e os minerais críticos brasileiros.
Segundo Lula, o objetivo dos investimentos não seria preparar o Brasil para uma guerra, mas garantir condições para proteger o território, a população e os recursos nacionais.