Um robô humanoide desenvolvido para auxiliar forças de segurança em operações de alto risco foi apresentado durante o COP International 2026, evento realizado em São Paulo. Batizado de Arcanjo, o equipamento é um projeto da empresa brasileira IPQ Tecnologia e poderá ser utilizado para entrar em áreas perigosas antes dos policiais.
A proposta é empregar a tecnologia em situações nas quais exista risco elevado para os agentes, permitindo a obtenção de informações sobre o ambiente antes da entrada das equipes.
O Arcanjo pode ser enviado para becos, imóveis, ambientes fechados e outros locais onde exista, por exemplo, suspeita da presença de pessoas armadas.
Arcanjo utiliza câmeras, sensores e inteligência artificial
O robô humanoide conta com câmeras e sensores capazes de coletar informações do ambiente e transmitir imagens para os operadores.
Sistemas de inteligência artificial também estão sendo desenvolvidos e adaptados para auxiliar na análise dessas informações. Uma das possibilidades apresentadas é o reconhecimento de objetos que possam representar ameaças, incluindo possíveis armas.
Dessa forma, policiais poderiam receber informações sobre determinado ambiente antes de entrar fisicamente no local, reduzindo a exposição inicial dos agentes.
A tecnologia não pretende substituir os profissionais de segurança, mas funcionar como uma ferramenta de apoio em situações nas quais enviar uma pessoa primeiro representaria um risco elevado.
Hardware do robô é produzido por empresa chinesa
Apesar de o Arcanjo ser apresentado como um projeto tecnológico desenvolvido no Brasil, a plataforma física utilizada pelo equipamento tem origem chinesa.
O hardware é produzido pela EngineAI, empresa especializada no desenvolvimento de robôs humanoides.
A IPQ Tecnologia trabalha sobre essa plataforma, desenvolvendo e adaptando sistemas de inteligência, integração e aplicações específicas voltadas às necessidades das forças de segurança brasileiras.
O modelo demonstra uma tendência crescente no setor de robótica: utilizar plataformas de hardware existentes e desenvolver softwares e aplicações especializadas para diferentes atividades.
Projeto recebeu cerca de R$ 1 milhão em investimentos
Segundo informações divulgadas sobre o projeto, o desenvolvimento do Arcanjo começou há aproximadamente um ano e já recebeu cerca de R$ 1 milhão em investimentos.
Atualmente, existe uma unidade utilizada para testes e desenvolvimento das aplicações.
Por isso, o equipamento ainda deve ser encarado como uma tecnologia em fase de desenvolvimento e avaliação, e não como um robô já empregado de forma ampla pelas forças policiais brasileiras.
Um dos desafios da equipe é aumentar sua autonomia e aperfeiçoar a capacidade do equipamento de executar tarefas em diferentes tipos de terreno e ambientes.
Robô poderá ter outras aplicações
Embora a segurança pública seja uma das principais aplicações estudadas, a tecnologia também poderá ser utilizada em outras situações de risco.
Entre as possibilidades avaliadas estão rondas noturnas, unidades prisionais, instalações industriais e ocorrências envolvendo possíveis vazamentos de gás.
Em ambientes industriais, por exemplo, um robô poderia ser enviado para uma área potencialmente contaminada ou perigosa antes da entrada de trabalhadores ou equipes especializadas.
A mesma lógica pode ser aplicada a ocorrências policiais: utilizar sensores e câmeras para obter informações antes de expor uma pessoa ao ambiente.
Robôs humanoides avançam para aplicações profissionais
O desenvolvimento do Arcanjo acompanha o avanço mundial dos robôs humanoides.
Além das demonstrações tradicionais de caminhada e movimentação, fabricantes e desenvolvedores estão buscando aplicações práticas para essas máquinas em indústrias, logística, inspeção, segurança e atividades realizadas em ambientes considerados perigosos.
No caso do Arcanjo, a proposta é justamente colocar a tecnologia onde a presença humana representa maior risco.
Antes de uma eventual adoção em larga escala, entretanto, o projeto ainda deverá passar por testes e aperfeiçoamentos para avaliar aspectos como confiabilidade, autonomia, capacidade de movimentação e desempenho dos sistemas de inteligência artificial.