O Bradesco reduziu de forma significativa sua estrutura física no Brasil ao longo dos últimos 12 meses. Segundo levantamento do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, foram 324 agências fechadas e 2.448 postos de trabalho reduzidos no período.
O movimento acontece enquanto uma parcela cada vez maior das operações bancárias migra para celulares e computadores. Segundo o Bradesco, atualmente cerca de 98% das transações de seus clientes são realizadas pelos canais digitais.
Somente no segundo trimestre de 2026, o saldo de empregos da instituição ficou negativo em 868 vagas.
Menos agências, mas lucro em alta
Os cortes na estrutura acontecem em um período de crescimento dos resultados financeiros do banco.
No primeiro semestre de 2026, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões, resultado 16,2% superior ao obtido no mesmo período do ano anterior.
A carteira de crédito expandida também cresceu e chegou a R$ 1,137 trilhão em junho, avanço de 11,6% em 12 meses.
Ao mesmo tempo, a instituição ganhou aproximadamente 300 mil clientes e passou a atender uma base de 110,4 milhões de pessoas.
Digitalização muda formato do atendimento
O Bradesco relaciona a redução das unidades físicas às mudanças no comportamento dos próprios clientes.
Com a maioria das operações concentrada no aplicativo e no internet banking, o banco avalia fatores como demanda por atendimento presencial, movimento das unidades e custos de manutenção antes de decidir pelo encerramento de uma agência.
Outra estratégia adotada é incorporar unidades com menor movimento a agências maiores da mesma região.
Mesmo com a redução da presença física, o banco afirma que os clientes continuam tendo acesso a outras agências, correspondentes da rede Bradesco Expresso e aos serviços digitais.
Banco nega programa de demissões em massa
Ao final do primeiro semestre, o Bradesco possuía 79.699 funcionários, dos quais 67.954 eram bancários.
Apesar da redução de 2.448 postos em um ano, a instituição nega que exista um programa de demissões em massa.
Segundo o banco, os ajustes fazem parte de mudanças planejadas na estrutura e a prioridade é buscar alternativas como movimentação interna e reposicionamento dos profissionais sempre que possível.
A instituição também afirma manter investimentos na capacitação dos funcionários.
Sindicato questiona cortes diante dos resultados
Para o Sindicato dos Bancários, os números financeiros apresentados pelo Bradesco contrastam com o fechamento de unidades e a redução dos postos de trabalho.
A entidade defende que os resultados positivos permitiriam preservar empregos e manter uma estrutura mais ampla de atendimento presencial.
Na segunda-feira (17), bancários realizaram um protesto no Distrito Federal contra o fechamento de uma agência localizada no Paranoá.
A redução da estrutura física do Bradesco ocorre em um momento de reestruturações de grandes empresas brasileiras. No varejo, outro caso recente envolve o Grupo Casas Bahia, que anunciou o fechamento de 298 lojas em meio ao processo de reorganização financeira.